O POUSO
Hotelaria | Arquitetura + Interiores
LOCAL: Jaboticatubas, MG
STATUS: Em obras
ANO: 2024
Implantar um espaço destinado ao lazer voltado para o turismo de curta estadia, em que o contato com a natureza e a tranquilidade sejam protagonistas. Este foi o desafio que abraçamos ao criar este projeto. A tarefa foi, em grande parte, facilitada pela localização do terreno: um condomínio eco residencial, com uma vista de tirar o fôlego e uma vegetação igualmente peculiar e encantadora, característica do bioma cerrado. Esse cenário, somado à hospitalidade e à mineiridade, configuraram as diretrizes conceituais adotadas pela arquitetura.
O Cerrado brasileiro é o bioma mais rico em biodiversidade do planeta – abriga mais de 12 mil espécies de plantas, das quais mais de 40% são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhum outro lugar – e é apelidado de caixa d’água do Brasil, devido ao seu solo drenante por onde infiltram as águas que originam as nascentes das principais bacias
hidrográficas do país. Mesmo com toda essa riqueza e diversidade, o bioma ainda sofre com o desconhecimento e a desvalorização, que acabam promovendo altas taxas de desmatamento e baixo interesse de preservação. Na contramão dessa realidade, o turismo consciente talvez seja uma maneira de colaborar para a valorização deste ecossistema. É esse o potencial que vislumbramos para O POUSO, nome sugerido pelo cliente para este empreendimento.
O terreno, localizado em área rural, conta com aproximadamente 20.000 m², dos quais grande parte apresenta topografia extremamente acentuada e vegetação mais fechada, o que dificulta a ocupação mas, por outro lado, favorece a presença de visadas amplas e privilegiadas na porção mais alta do lote. Por esse motivo, sugere-se que a ocupação do terreno aconteça em sua porção inicial, mais próxima à via de acesso, onde a declividade é menos acentuada e as visadas são mais desimpedidas.
Indica-se ainda que quaisquer ocupações no local sejam feitas de modo a minimizar o impacto sobre o solo e a vegetação existentes, evitando sempre que possível a supressão de indivíduos arbóreos. Além disso, intervenções paisagísticas devem privilegiar o uso de espécies nativas do cerrado.
Neste cenário, o projeto arquitetônico foi concebido a partir das seguintes premissas:
a) Uma edificação solta do terreno, que deixe livre a maior área possível para o percolamento das águas e o crescimento de espécies nativas.
b) Uma cobertura que aterrize sobre a edificação e externalize a noção de abrigo e receptividade, além de garantir o sombreamento necessário para aumento do conforto térmico na região.
c) Uma materialidade natural e homogênea, despertando a noção de calmaria e tranquilidade necessárias ao afastamento da dinâmica agitada da vida cotidiana para a imersão do hóspede em um ambiente de reflexão e contemplação.
d) Uma construção com soluções racionais, de baixo custo e baixa complexidade, adequadas à sua localidade remota e rural, que permita uma execução desempenhada pela mão de obra local.
O resultado pretendido é um espaço aconchegante e atrativo aos hóspedes, em um ambiente igualmente harmonioso e memorável, modesto e refinado, onde a cultura e o cerrado mineiro sejam protagonistas.
FICHA TÉCNICA
LOTE: 20.000m²
ÁREA: 75m²
AUTORES RESPONSÁVEIS: Mariana Lima e Marcos Vinícius Lourenço
PROJETOS COMPLEMENTARES: Gomes Nogueira Engenharia

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